Fim da escala 6×1 exige planejamento no varejo de shopping centers, alerta ABLOS

A entidade alerta que a nova escala exigirá ampliar as equipes, elevando custos e desafios de gestão
Por Redação · Publicação original: 16/10/2026
Após a aprovação no Senado da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho no País, o varejo acompanha os possíveis efeitos da mudança sobre as equipes e os custos das lojas. E o setor de shopping centers, que funcionam sete dias por semana, inclusive nos finais de semana, deve ser um dos mais impactados.
A Associação Brasileira dos Lojistas Satélites de Shoppings (ABLOS) aponta a necessidade de contratar mais funcionários para manter as operações, , o que elevará os custos e os desafios de gestão das equipes.
Segundo a entidade, a mudança também pode afetar a remuneração dos vendedores que dependem de comissões, caso a reorganização das equipes reduza as oportunidades de contato com os consumidores e de concretização de vendas.
“É fundamental que a implementação considere a realidade do varejo e permita que as empresas se adaptem sem comprometer a sustentabilidade dos negócios e a manutenção dos empregos”, destaca Mauro Francis, presidente da ABLOS.
A proposta aprovada prevê uma transição gradual, com a primeira etapa começando 60 dias após a promulgação, com limite de 42 horas de trabalho por semana e dois dias de descanso. Doze meses depois, a jornada máxima passará a ser de 40 horas semanais.
Repasse de custos e impacto na cadeia
O impacto financeiro também preocupa os lojistas. Ricardo Rossette, da marca de acessórios Victória Régia, estima que a transição para a escala 5×2 elevará os custos para manter as lojas em funcionamento.
“A transição para a escala 5×2 significa contratar novos colaboradores e aumentar em cerca de 17% o custo da folha para cobrir o mesmo horário de funcionamento do shopping. Já temos uma operação com margens apertadas, aluguel e condomínio elevados. Essa conta é difícil de fechar sem repassar custos ao consumidor ou rever investimentos”, afirma Rossette.
O impacto da mudança se estende por toda a cadeia produtiva e de serviços do varejo. O aumento das despesas com as equipes contratadas pelos próprios empreendimentos tende a ser repassado aos lojistas por meio do rateio dos custos condominiais, ampliando a pressão financeira sobre as lojas.
A esse cenário somam-se os desafios da Reforma Tributária. A implementação do IBS e da CBS e seus efeitos sobre os contratos de locação exigirão atenção dos lojistas de shopping centers, que poderão enfrentar pressão financeira adicional, conforme as regras aplicáveis e as condições contratuais.
ABLOS aponta desigualdade competitiva no varejo
A ABLOS defende que o varejo físico e as operações em shopping centers recebam tratamento diferenciado na legislação, com regras de transição adequadas e medidas que considerem as particularidades do setor.
A entidade alerta ainda que o varejo físico em shopping centers já enfrenta forte assimetria competitiva em relação às plataformas internacionais de e-commerce, que operam sob condições tributárias mais favoráveis do que as empresas nacionais e, segundo a associação, estão sujeitas a menor controle regulatório.
Diante desse cenário, a associação defende a retomada do diálogo com o Congresso Nacional, o Governo Federal e o setor produtivo após a definição do cenário eleitoral, para buscar soluções que promovam maior equilíbrio concorrencial e considerem as particularidades do varejo físico.





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