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Varejo em Momento Delicado e Oportunidades Perdidas pelos Shoppings

Daniel Cerveira
há 2 horas
2 min de leitura
Imagem ilustrativa do interior de uma loja de roupas, com araras e manequins em primeiro plano e pessoas desfocadas ao fundo.
A integração entre lojas físicas, comércio eletrônico e shoppings pode abrir oportunidades para o varejo.

Recentemente foi divulgada a Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV), elaborada pela FecomercioSP, que apurou uma retração no comércio na cidade de São Paulo de 8,8% no primeiro semestre de 2026. Em junho o recuo foi de 10% na comparação anual.


Os motivos são aqueles que todos estão cansados de saber, quais sejam, juros altos, crédito seletivo, concorrência com bets e blusinhas com preços imbatíveis. Se já não bastasse, o comerciante ainda vive sob ameaça do término repentino e sem contrapartidas da escala 6x1.


Os pedidos de recuperação extrajudicial e judicial das redes varejistas estão aí para tudo mudo ver.


O quadro é péssimo. É urgente que seja dada uma atenção especial pelos agentes privados e públicos.


Não obstante, verificam-se movimentos e resultados interessantes no setor, com destaque aos marketplaces compartilhados.


No campo dos shopping centers o cenário não é muito diferente. Agora, transformados em centros de entretenimento, competem com o e-commerce e enfrentam os desafios decorrentes da atual configuração das jornadas de compra dos consumidores. E aí que está o ponto. Não se observa no mercado uma união de forças entre os lojistas e os empreendedores no que se refere às vendas virtuais. Ao contrário, notam-se díspares de ambos os lados, sem o aproveitamento da evidente sinergia existente.


Do lado dos centros de compras, exigem que todas as vendas que “passarem” pelas lojas sejam consideradas para fins de apuração do aluguel percentual, independentemente da margem de lucro do varejista e de onde foi “concretizada” a transação. E alguns shoppings, inclusive, proíbem que os restaurantes utilizem as suas cozinhas para comercializar refeições via plataformas de delivery utilizando “marcas” diferentes das previstas nos contratos de locação, mesmo que os faturamentos obtidos sejam computados.


É justo o lojista pagar aluguel percentual por uma venda feita pela internet, cuja mercadoria somente foi retirada no estabelecimento? Neste caso não foi o varejista que atraiu o consumidor ao centro de compras? Não é interessante para todos que seja levado público ao shopping?


Ademais, por vezes, a remuneração cobrada pela plataforma de entrega, somada ao aluguel percentual, inviabiliza o negócio do lojista. Ora, não seria mais adequado estabelecer um aluguel percentual diferenciado? Afinal de contas, o cliente não veio em razão dos atrativos oferecidos pelos centros de compras.


Por fim, vale dizer que o varejo físico nunca vai acabar. O “Wal-Mart” é um ótimo exemplo desse comércio resiliente. A interligação dos canais veio para ficar e indica ser um diferencial relevante. Temos a “Zara” como um dos grandes cases sobre o assunto.


Na verdade, cada vez mais, em razão da sua natureza escassa, as propriedades e os grandes corredores comerciais continuarão o processo de valorização, com altos e baixos. E as mudanças no varejo permanecerão presentes, à luz da evolução cultural da sociedade e do avanço da tecnologia, cabendo aos agentes, se parceiros verdadeiros, se adaptarem.


*Daniel Cerveira, sócio do escritório Cerveira, Bloch, Goettems, Hansen & Longo Advogados Associados – www.cerveiraadvogados.com.br

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